75,8% dos jogadores brasileiros afirmam ter jogado mais no período de isolamento social

Pesquisa Game Brasil (PGB) acaba de receber sua oitava edição. Para aqueles que não conhecem, o PGB é um levantamento anual feito em parceria pela Sioux Group, Go Gamers, Blend New Research e ESPM sobre o consumo de jogos eletrônicos no país. A edição desse ano se provou muito interessante, demonstrando os efeitos do isolamento social sobre os jogos.

O estudo mostra a ascensão das classes C, D e E no consumo de jogos no país; o smartphone como plataforma preferida para jogar; e outros indicadores sobre o perfil dos gamers no Brasil, como sexo, etnia, idade e mais.

De acordo com a pesquisa realizada, 75,8% dos jogadores Brasileiros afirmam ter jogado mais durante esse período de pandemia. A pesquisa foi realizada com 12.498 pessoas em 26 estado e no Distrito Federal.

Embora a principal classe social dos jogadores no Brasil seja a média-alta (B2), com 27,6%, com os smartphones se consolidando cada vez mais como principal plataforma de jogos no Brasil, é possível identificar uma ascensão das pessoas de classes sociais baixas e médias (C1, C2, D e E) entre o público gamer, representando quase metade dos consumidores de jogos no país (49,7%, na soma).

À medida que passamos a ficar mais tempo em casa, o hábito de jogar se tornou mais recorrente e ganhou ainda mais espaço em nosso dia a dia. O distanciamento social se reflete no aumento de interesse em torno da experiência de jogar online, já que foi uma das poucas opções viáveis em tempos de confinamento.

Principais sexo, classe social, etnia e idade do gamer Brasileiro

Com base nas pesquisas passadas, a PGB demonstra que as mulheres são a maioria entre a comunidade de jogadores do país, e nesse ano não foi diferente. 51,5% do público de jogos do país é feminino. Esta forte presença está relacionada ao tamanho do mercado de smartphones, onde existe uma dominância das mulheres (62,2%).

Neste ano, a PGB mapeou a etnia dos jogadores brasileiros: quase metade do público se identificou como branca (46%), enquanto outra grande parcela se identificou como parda ou preta (50,3%, na soma). Em relação à faixa etária, a maioria do público é adulta, com 22,5% possuindo entre 20 a 24 anos e 18,6% entre 24 e 29 anos.

O público de 16 a 19 anos representa 10,3% dos respondentes, enquanto pessoas de 40 anos ou mais de idade constituem 18,9% dos jogadores no país. Por questões de ética, o estudo não entrevistou menores de 16 anos de idade. Toda essa população, no entanto, é considerada em uma seção especial (Pais, Filhos e Games), dedicada a entender o perfil de consumo desse público pela ótica de seus pais.

Seguindo a tendência dos anos anteriores, a 8ª edição da PGB mostra que a maioria dos brasileiros (41,6%) ainda prefere jogar nos smartphones. Os consoles domésticos ocupam a 2ª colocação, com 25,8% de preferência, seguidos pelo computador, em 3º, com 18,3%.

Além disso, quem joga no celular joga mais: 40,8% do público afirma jogar todos os dias — nos consoles, essa porcentagem é de 15%, enquanto nos computadores é de 19,6%. Tal comportamento pode ser explicado por fenômenos econômicos e culturais.

Já a duração de uma sessão de jogo costuma ser de 1 a 3 horas para a maioria dos jogadores de consoles (31,3%). No PC, a maior parte do público joga por até 1 hora (27,2%), embora liderem quando o assunto é ficar na frente da tela por mais de 6 horas, com 10,1%. A surpresa são os smartphones, onde 35% do público joga de 1 a 3 horas, mostrando que o mobile tem ganhado maturidade e obtendo jogadores mais assíduos. Cabe destacar que o comportamento do jogador é multiplataforma. Ou seja, mesmo que ele prefira este ou aquele aparelho, consome games em duas ou três plataformas.

Renda média vs. comportamento de consumo

De acordo com a Pesquisa Game Brasil 2021, a maioria dos jogadores brasileiros possui uma renda média familiar de até R$2.090 (30,8%), seguidos por uma parcela de 30,3% que afirma ter até R$4.180. Este segundo grupo, por exemplo, só conseguiria comprar um videogame da nova geração se juntasse mais de um mês de sua renda sem gastar com nenhuma outra necessidade.

Mauro Berimbau, professor da ESPM e consultor GoGamers, disse:

O brasileiro acha um jeito de jogar: estende a vida útil das gerações antigas, baixa jogos gratuitos ou se concentra em poucos títulos.

A PGB revela que 45,4% dos jogadores no Brasil baixam apenas jogos gratuitos, devido ao preço elevado dos títulos (46,6%); às opções gratuitas que suprem suas necessidades (34,9%); e para não correrem o risco de se arrependerem pelo produto (22,7%). A maioria do público (33%) não investe nenhum valor de outra maneira com jogos, mas 32% gastam em moedas virtuais, 31,4% em itens de melhorias e 31,1% em expansões de jogos.

Escalada dos eSports e do hábito de jogar em família

A PGB 2021 mostra que 64,3% dos jogadores brasileiros já ouviram falar em eSports (esportes eletrônicos) e 55,4% afirmam que jogam ou praticam alguma modalidade. Os indicadores sugerem, nos últimos 4 anos, uma escalada do conhecimento dessa modalidade de jogos eletrônicos.

Outro hábito que segue em crescimento é a quantidade de crianças que jogam videogame. Segundo a 8ª edição da PGB, 85,1% dos pais afirmam que seus filhos jogam, um crescimento de 6,4% em relação à última edição da pesquisa. Nessas famílias, 83,8% dos responsáveis jogam junto com os menores, um aumento de 13,1% na mesma comparação.

Guilherme Camargo esclarece:

Em 2020, os pais passaram a jogar mais com os filhos, em grande parte devido ao maior tempo dentro de casa. A ascensão dos eSports também mudou a forma como os pais encaram o hobby dos filhos — não só como passatempo, mas até como opção de carreira.

Você pode baixar a versão gratuita do estudo no site oficial da Pesquisa Game Brasil.

Roger

Grande fã de jogos e filmes. Sou apaixonado pelas franquias GTA e The Witcher, as quais considero minhas favoritas, porém também sou um grande fã das sagas Resident Evil e Minecraft.