Se o amor não é jogo de azar, videogames são

Se o amor não é jogo de azar, videogames são - Gaming Lab

Iae, galera. 6 estão de boas?

          Antes de começar este texto preciso advertir que ele não contém nenhum cunho político e eu sinceramente gostaria que não houvesse comentários maldosos ou discussões partidárias. É apenas um artigo descritivo, galera. Não se engalfinhem.

          Dito isso, vamos ao texto.

          O Brasil é um país grande e precisa arrecadar dinheiro para financiar o asfalto da rua, programas sociais para as pessoas carentes, comprar os insumos para o SUS e para isso ele precisa recolher impostos. Todos os produtos que vemos são taxados na produção ou na comercialização, ou seja, o Brasil em algum momento listou todos os bens existentes, classificou de acordo com a essencialidade e definiu um percentual a ser recolhido imposto.

          Mas aí vocês me perguntam: Alexandrinho, eu ouvi dizer que a tinta para livros não tem impostos, ou seja, você está errado, seu cara pálida. E aí eu respondo com um olhar do mestre Yoda: calma, meus jovens gafanhotos. De fato, há produtos que não têm impostos embutidos e isso se deve porque o Brasil estatuiu que deveria haver isenção em relação a eles por um motivo maior. Isso acontece com a tinta e o papel usado para confecção de livros, como uma tentativa de baratear e estimular a leitura.   

          Sabendo que o mercado gamer está em expansão e é rico, o Brasil viu nos consoles e jogos uma nova forma de ganhar dinheiro e por isso tributou eles de acordo com Norma Comum do Mercosul (NCM 8523.49.90). Até aí tudo normal, mas a complicação vem quando descobrimos que nossos amados videogames foram equiparados à categoria de jogos de azar, tal qual as máquinas caça-níqueis, porque um ser abençoado entendeu que consoles e essas máquinas tinham o mesmo grau de essencialidade à sociedade, logo, na prática o mesmo percentual aplica-se nos dois e assim o preço sobe e quem arca somos nós, consumidores. Trocando em miúdos, o Brasil considera videogames como jogo de azar.

          No atual governo houve redução da carta tributária, mas isso ainda está longe de acompanhar o cenário exterior. Enquanto os EUA cobram algo em torno de 10% de imposto sobre esses consoles que são importados da China, o Brasil atualmente impõe 20% de imposto. Ou seja, aqui pagamos mais caro e o Brasil enriquece um pouco mais às nossas custas. Além dos impostos, existe a lei da oferta e procura (que falei no texto anterior – PlayStation 5 e Xbox Series X/S estão caros? Saiba o motivo) e a alta do dólar e tudo isso potencializa o preço que pagamos.

          Mas e a solução? Bem, meu amigos, não há solução em vista. Com a pandemia do Covid-19 o Brasil (assim como todos os países) gastou bastante e está com um caixa defasado, portanto ele em breve vai ter que encontrar formas de remendar este rombo e voltar a alíquota dos videogames pode ser uma alternativa. Então, apertem os cintos e joguem enquanto podemos.

Fonte:   Folha, Superinteressante e Governo Federal.